sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

COMO VEJO O MUNDO (cont) - EINSTEIN


SINTOMAS DE UMA DOENÇA NA VIDA CULTURA

O intercâmbio incondicional das idéias e das descobertas impõe-se para um progresso harmonioso da ciência e da vida cultural. Em meu entender, a intervenção dos poderes políticos deste país (USA) provocou, sem dúvida alguma, um desastre já visível nesta comunicação livre dos conhecimentos entre indivíduos. Manifesta-se primeiro no trabalho científico propriamente dito. Depois, em um segundo tempo, manifesta-se em todas as disciplinas da produção. Os controles das instâncias políticas sobre a vida científica da nação se repercutem muito profundamente pela recusa aos sábios de viajarem para o estrangeiro, imposta aqui, e pela recusa em acolher sábios estrangeiros aqui nos Estados Unidos. Uma atitude tão estranha num país tão poderoso constitui o sintoma aparente de uma doença muito escondida.
E ainda as intervenções na liberdade de comunicar os resultados científicos oralmente ou por escrito, e também o comportamento suspeitoso da comunidade, ladeada por uma organização policial gigantesca, que suspeita da opinião política de cada um, e ainda a angústia de cada indivíduo que quer evitar aquilo que provavelmente o tornaria suspeito e comprometeria então sua existência econômica, tudo isto não passa, no momento, de sintomas. Mas que revelam características inquietadoras, os sintomas do mal.
O mal verdadeiro se elabora na psicose gerada pela guerra, que depois proliferou por toda parte: em tempo de paz, temos de organizar nosso inteiro condicionamento de vida, em particular o trabalho, para estamos certos da vitória, em caso de guerra.
Esta proposição provoca outra: nossa liberdade e nossa existência estão ameaçadas por poderosos inimigos.
A psicose explica as abominações descritas como sintomas. Ela deve – salvo se houver cura – acarretar inevitavelmente a guerra e portanto o aniquilamento geral. Está perfeitamente expressa no orçamento dos Estados Unidos.
Quando tivermos triunfado desta obsessão, poderemos abordar de modo inteligente o verdadeiro problema político: como assegurar numa terra, agora pequena demais, a existência e as relações humanas? Por que tudo isto? porque não poderemos nos libertar dos sintomas conhecidos e de outros, se não atacarmos a moléstia pela raiz.

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